Como ajudar na curadoria de conteúdo durante a sua faculdade

Aquela aula tradicional em que o professor passa todo o conteúdo, os alunos copiam, depois revisam e tentam “decorar” o que foi passado para, finalmente, testar os seus conhecimentos em provas está com os dias contados. Já existem várias iniciativas e metodologias em que se prioriza a construção coletiva do saber. E para ajudar nesse processo, os alunos, assim como o professor, fazem curadoria de conteúdo.

Mas, na prática, você sabe como funciona esse processo de curadoria de conteúdo? Qual é o papel do professor e o seu, como acadêmico, nesse tipo de trabalho em conjunto? Como aluno da disciplina que utiliza essa metodologia, você deve trazer temas e materiais para as aulas. Ao fazer isso, você estará contribuindo para os debates que, por sua vez, irão propiciar novas visões sobre o tema proposto e ajudar na compreensão mais ampla da disciplina. Confira, neste texto, algumas dicas simples que poderão ajudá-lo na curadoria de conteúdos durante a graduação.

Por que é importante contribuir para a curadoria de conteúdo na faculdade?

Antes de falarmos sobre como fazer a curadoria de conteúdo, é fundamental entender a importância de um aluno de graduação participar dessa “construção coletiva do saber”. Atualmente vivemos na Sociedade da Informação, então temos contato constante com um fluxo intenso de dados, opiniões e materiais.

Esse contexto com “excesso de informações” tem prós e contras. Com todo esse acesso facilitado a todos os tipos de conteúdos é mais provável que tenhamos mais conhecimento, não é mesmo? Mas nem sempre é assim.

O fluxo de informações é tão intenso que não damos conta de fazer uma curadoria de conteúdo e absorver tantos dados que chegam diariamente até nós. Então o que muitas vezes acontece é que temos um contato superficial com boa parte desses materiais.

Ao não nos aprofundarmos em informação alguma, consequentemente não agregamos qualquer conhecimento ao nosso portfólio. O que é bastante frequente é que não conseguimos fazer a relação daquele conteúdo novo com o nosso cotidiano, nosso futuro profissional ou com assuntos que sejam do nosso interesse.

E é nesse ponto que a faculdade pode ter um papel fundamental. Esse acesso a tanta informação pode ajudar na consolidação de conteúdos da graduação. Como? Com fontes confiáveis, que garantam dados corretos e imparciais, como reportagens, artigos de opinião, vídeos e podcasts.

Esses recursos podem trazer novos elementos para discussão em sala de aula e ajudá-lo a contribuir com a curadoria de conteúdo durante a faculdade.

Além disso, essas fontes de informação podem acrescentar conteúdos atualizados, com notícias daquela semana, por exemplo, que irão complementar a teoria da disciplina. A partir desses materiais, tanto professores quanto alunos podem debater o assunto, trazendo o tema para a realidade em que estão inseridos e, com isso, analisar outros pontos de vista.

O resultado disso tudo? Além de aulas mais dinâmicas, com participação efetiva dos alunos, fica muito mais fácil compreender e assimilar conteúdos aos relacioná-los com o cotidiano, com situações atuais e de interesse dos acadêmicos.

Ou seja, todos ganham com essa metodologia durante a faculdade. O professor terá aulas mais completas e mais participativas e os alunos desenvolvem a capacidade de curadoria de conteúdo, além de aprender de forma mais ampla e efetiva. Todos esses elementos serão essenciais para o desenvolvimento de uma carreira e para o sucesso profissional.

Essa construção coletiva do saber é uma das tendências em educação. Ela está em alta porque promove um ensino mais dinâmico e que atende à demanda das novas gerações por uma participação maior no processo de ensino e aprendizado.

Nesse cenário, o professor continua tendo um papel central. Mas, no lugar de ser o “detentor do saber”, ele é a peça-chave que vai mediar os debates, ponderar e fazer a relação com os conteúdos propostos pelos acadêmicos. Apesar de o docente ter esse papel importante, com a curadoria de conteúdo os alunos também se tornam protagonistas de seu próprio aprendizado — esse é o grande diferencial e atrativo dessa metodologia.

Mas como fazer a curadoria de conteúdo durante a graduação?

Agora que você já sabe um pouco mais sobre as vantagens de fazer a seleção de materiais complementares às leituras obrigatórias das disciplinas que você irá fazer na faculdade, chegou a hora de saber como contribuir com uma boa curadoria de conteúdo.

Confira algumas dicas simples que poderão ajudar nesse processo:

1. Defina seus assuntos de interesse

Primeiro, é importante mapear quais assuntos você quer acompanhar mais de perto e quais são as disciplinas ou temáticas que despertam o seu interesse com maior frequência.

Para começar, confira bem o planejamento de cada disciplina para poder antecipar alguns temas que serão propostos durante o semestre. Identifique os assuntos que mais lhe interessam e se prepare para o dia da aula apresentando materiais de apoio que contribuam com o aprendizado do grupo.

Além de planejar a curadoria de conteúdo a partir do planejamento que foi feito previamente por cada professor, preste muita atenção nas aulas. É nesse momento que você poderá identificar os assuntos debatidos, o que é relevante para cada disciplina e o que você poderá acrescentar com as suas experiências, vivências e com materiais que já encontrou sobre aquela área.

A partir desse levantamento, chegou a hora de identificar quais fontes de informação podem ajudar nesse processo de curadoria. Um mecanismo eficaz é ativar alertas no Google para temas que sejam relevantes para as aulas. Fazendo isso, você irá receber notícias de interesse sobre aquele tema específico. Também é interessante assinar newsletter de sites e blogs segmentados para receber conteúdos do seu interesse.

2. Priorize as fontes confiáveis

Outro aspecto fundamental é basear suas pesquisas em fontes confiáveis de informação. Veículos tradicionais de comunicação podem ser bons pontos de partida, sejam jornais e portais de notícia, (Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, El País, New York Times) ou sites de revistas (Veja, Superinteressante, Vida Simples, Galileu, Exame, Você S/A), telejornais e programas de rádio.

A escolha dessas fontes vai depender bastante da área de conhecimento na qual você tem interesse e o foco dos seus estudos e/ou disciplinas.

Mas lembre-se que não são apenas as notícias recentes que trazem subsídios para complementar as discussões e as atividades em sala de aula. Vale pesquisar em livros, podcasts, newsletter e vídeos no YouTube, por exemplo. Trazer esses novos formatos, com depoimentos, relatos e debates, pode ser muito rico para a disciplina.

Mais uma vez é importante delimitar as temáticas, mas há podcasts sobre empreendedorismo, feminismo, política, RH, direito, entre tantos outros. Há ainda uma infinidade de vídeos sobre os mais diferentes temas. O TED, no YouTube, por exemplo, ajuda com discussões sobre temas polêmicos e histórias de superação.

3. Bom senso, sempre

A curadoria de conteúdo precisa fazer sentido naquela aula ou conteúdo. Não é porque você pesquisou e leu sobre determinado tema que precisa incluí-lo de qualquer forma. Caso tenha algum vídeo ou podcast que tem estrita relação com o que está sendo trabalhado, vale trocar uma ideia com o professor para passá-lo em sala ou indicá-lo para que outros alunos assistam em casa.

Preste atenção na dinâmica da aula, traga os assuntos que realmente tenham relevância para a turma, estabeleça conexões com a temática que está sendo trabalhada e esteja sempre aberto ao diálogo. Essa curadoria de conteúdo e construção coletiva de conhecimento requer ouvir outras visões, aprender e crescer junto.

 

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